segunda-feira, 3 de março de 2008

Antiguidade Grega -Educação


Na antiguidade, a Grécia não se constitui em uma unidade política - administração única e sim em diversas cidades-Estado, que possuíam em comum o idioma falado, a religião, além de similaridades nas instituições sociais e políticas. Para fins didáticos estudaremos apenas os períodos: Arcaico, Clássico e Helênico da história grega.

Período homérico (XII a.C. – VIII a. C.), é assim chamado porque naquela época teria vivido Homero, talvez no século IX ou VIII a.C. Predominava a concepção mítica do mundo, pela qual se admitia que as ações humanas fossem influenciadas pelo sobre natural, pela interferência divina. O homem não vivia sua autonomia e sim na dependência de seus deuses e de suas variações de humor. Entre as principais obras produzidas neste período destacam-se a Ilíada e a Odisséia, ambas atribuídas a Homero. Surge desse período a concepção de que o guerreiro ideal deveria comungar em si a beleza e a bondade. Trata-se da virtude do guerreiro belo e bom. Segundo Aranha, “o conceito de virtude possuía neste período, o sentido de força e coragem atribuídos ao ‘guerreiro belo e bom’, aos quais se acrescentavam a prudência, a lealdade, a hospitalidade, bem como a honra, a glória e o desafio à morte”.

Período Arcaico (VIII a.C. – VI a.C.), neste período ocorreram grandes transformações sociais e políticas, que iram modificar a estrutura político-administrativa dessa sociedade, com advento das cidades-estado (Pólis) e a caracterização de uma sociedade dividida em classes e baseada na economia escrava. Encrementa-se o comércio, que se estende para as colônias gregas. Há o desenvolvimento da escrita e a introdução da moeda. Também é neste período que ocorre a ruptura entre a aristocracia tradicional e os novos proprietários agrários, recentemente enriquecidos pelo comércio. Neste sentido destaca-se a atuação do tirano (legislador) Sólon, que aboliu o pagamento de dívida sobre terras, no qual o pequeno proprietário tornava-se presa dos grandes latifúndios como rendeiros ou cativos por dívidas, preservando dessa forma a propriedade agrária modesta, que será à base da economia helênica. Outra importante inovação ocorreu no exército, que passa a ser constituído essencialmente por Hoplitas, fazendo com que o sucesso nas guerras seja cada vez maior e aumente o número de escravos nas cidades.

Período Clássico (V a.C. – IV a.C.), representa o apogeu da sociedade grega. A esplendida produção nas artes, literatura, arquitetura e filosofia representa o que de melhor havia, um ideal a ser seguido pelos demais povos, o auge da democracia. Todo este desenvolvimento só foi possível graças à força do trabalho escravo, que suportava toda a estrutura da cidade e libertava os cidadãos para o “ócio digno”, ou seja, se dedicar à filosofia, política, artes entre outras atividades. Mais da metade da população era composta por escravos, outra parcela por estrangeiros (metecos) que cuidavam do comércio e o restante por Cidadãos, sendo que somente os homens possuíam direitos políticos.

Pedagogia --> De início era apenas a designação do escravo que conduzia a criança à escola. Hoje representa toda teoria da educação, isto é da ação do homem quanto transmite ou modifica a herança cultural.

Paidéia (paideia) --> Literalmente significa criação dos meninos, com o passar do tempo passou a representar o ideal de educação grega, a própria cultura construída a partir da educação. A Paidéia tem por finalidade construir o homem em sua totalidade: homem e cidadão. Platão a definia da seguinte forma: “A essência de toda boa educação, ou Paidéia é que dá ao homem o desejo e ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e obedecer, tendo a justiça como fundamento.” Werner Jaeger, helenista alemão, diz o seguinte: “Não se pode evitar o emprego de expressões modernas como civilização, cultura, tradição, literatura ou educação; nenhuma delas coincide realmente com o que os gregos entendiam por Paidéia. Cada um daqueles termos se limita a exprimir um aspecto daquele conceito global e para abranger o campo total do conceito grego, teríamos que empregá-los todos de uma só vez.”
Para alcançar os objetivos da Paidéia surgem várias tendências no mundo grego, entre elas podemos citar os filósofos e suas concepções a respeito da educação.

Os Sofistas --> Eram sábios itinerantes, que cobravam por seus ensinamentos, se dedicavam a retórica e se propunham a ensinar a arte da persuasão, do conhecimento e do discurso. Devemos aos sofistas a sistematização do ensino, por darem forma a um currículo de estudos composto por gramática, retórica e dialética. Também desenvolveram a aritmética, geometria, astronomia e música. “O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são, e das que não são, enquanto não são.” Para os sofistas não existe uma verdade absoluta, o homem interpreta os dados dos sentidos a seu modo e de acordo com os seus interesses. O sábio, usando a arte da persuasão, consegue fazer com que apareçam como melhores não as opiniões mais chegadas à verdade, mas as mais vantajosas.

Sócrates --> Foi um grande opositor dos sofistas, critica o fato de cobrarem por seus ensinamentos e de proferirem um discurso vazio. Já Sócrates discute em locais públicos sobre diversos temas, principalmente: amizade, amor, piedade, coragem, virtude entre outros. Através do diálogo faz ver a seus discípulos a própria ignorância e então os leva a procurar a verdade, ou seja, a definição do conceito. Ao conhecer o bem o homem irá praticá-lo, visto que o homem não é mal voluntariamente e sim por ignorar o bem. O seu método era composto de duas partes ® a Ironia e a Maiêutica.

Platão --> De acordo com sua teoria o conhecimento, as idéias são mais reais que as próprias coisas. Para ele todas as crianças deveriam receber educação do estado para melhor desempenho de suas funções. As pessoas são classificadas como tendo alma de Bronze (trabalho bruto), alma de Prata (guerreiros) e alma de Ouro (filósofos), estes últimos deveriam se encarregar da direção do estado. Ele desenvolve idéias avançadas para o seu tempo: O estado deveria assumir a educação; a educação da mulher é semelhante a do homem; os estágios superiores dependem do mérito de cada um e não da sua riqueza; valoriza a educação intelectual, coroando a dialética e os estudos das ciências. Sua teoria está embasada na Reminiscência, através da qual a pessoa recordaria o que já sabe, mas que ficou apagado de sua mente quando fez a passagem para o mundo material.

Isócrates --> Contemporâneo de Platão e, de certa forma seu opositor, defende posições que agitam a discussão sobre educação em seu tempo. Sua importância está no fato de centrar sua atenção na linguagem, elaborando formas que facilitem o discurso. Ensina como reunir material de pesquisa, distingue as partes de que se compõem a peça retórica e formula regras para orientar as maneiras de apresentação. Sugere recorrer à história para encontrar exemplos de conduta moral e de decisões políticas, que sempre ilustram um bom discurso.

Aristóteles --> Foi discípulo de Platão, porém elabora seu próprio sistema filosófico. Critica o idealismo do mestre e desenvolve uma teoria realista, segundo a qual a imutabilidade do conceito e o movimentos das coisas podem ser explicadas a partir das coisas mesmas, recusando o artifício do mundo das idéias. Apoiado na noção de matéria e forma, explica o “DEVIR”. Todo ser tende a atualizar a forma que tem em si como potência, tende a atingir a perfeição que lhe é própria e o fim a que se destina. A educação tem por finalidade ajudar o homem a alcançar a plenitude e a realização de seu ser, a atualizar as forças que tem como potência. A metodologia de Sócrates recebe o nome de lógica formal. A compreensão precisa do processo de análise, síntese, indução, dedução e analogias ajudará a desenvolver também o método lógico de ensinar.

Educação --> O grau de consciência de si mesmo que os gregos atingiram não ocorrera até então em nenhum outro lugar. A nova concepção de cultura e do lugar ocupado pelo indivíduo na sociedade repercute no ensino e nas teorias educacionais. De um modo geral a educação grega esta centrada na formação integral do homem, corpo e espírito, mesmo que de fato a ênfase se desloque ora mais para o preparo esportivo, ora para o debate intelectual, conforme época e o lugar. Um aspecto comum às cidades gregas é não se transmitir cultura apenas na família ou nas escolas nascentes e sim em inúmeras atividades coletivas.

Educação Espartana:


- Esparta era uma importante cidade-Estado, após a fase heróica, ao contrario das demais cidades gregas, valoriza as atividades guerreiras mais que as intelectuais, desenvolvendo uma educação voltada para a formação militar.
- Era praticada a eugenia como forma de aperfeiçoar a espécie.
- As crianças permaneciam com os pais até os sete anos, quando o estado oferece uma educação pública obrigatória. Até os doze anos permanecem em comunidades constituídas por grupos que se formam pela idade. Há predomínio das atividades lúdicas, tais como dança, canto e música. A partir dos treze anos aumenta o rigor das atividades físicas. O jovem aprende a suportar a fome, o frio, o medo e principalmente a respeitar seu superior. Dos vinte aos trinta anos o jovem espartano continuava seus exercícios militares. Ao completar 30 anos alcança a maioridade.
- Ao contrário dos atenienses, não são educados para os refinamentos intelectuais, nem apreciam o debate e discursos longos.
- A educação espartana esta voltada para a formação de cidadãos úteis, ou seja, a formação de guerreiros.

Educação Ateniense:


- Até os seis anos a educação da criança fica a cargo da família. A partir dos sete anos, ser for menina permanece no gineceu, parte da casa onde as mulheres se dedicam aos afazeres domésticos, caso seja menino, desliga-se da autoridade materna e inicia o processo de alfabetização, de educação física e musical.
- Ao completar treze anos as mais pobres saem em busca de um ofício, enquanto os de família rica continuam os estudos, sendo encaminhadas para o ginásio (local de aprimoramento físico e intelectual). Lá estudavam aritmética, geometria, astronomia, além de praticarem atividades físicas e musicais.
- Dos 16 aos 18 anos a educação adquiria um dimensão cívica de preparação militar.
- A educação superior era ministrada pelos sofistas e demais filósofos. Os assuntos contemplados dependiam das características de cada escola, sendo que de um modo geral podemos dizer que os sofistas valorizavam a retórica e o bom discurso, enquanto os filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles valorizavam as reflexões de caráter filosófico.

O Período Helenista:


Tão grande foi a influência da cultura grega que se costuma designar por época helenística o período histórico que se estende deste a morte de Alexandre o Grande (323 a.C.) até a conquista do Egito pelos romanos (30 a.C.). Dois fatos caracterizam tal época: um de ordem política, ou seja, o império de Alexandre se fragmenta em diversos reinos; outro de ordem cultural: os ideais gregos se espalham por todo o império.

A helenização do mundo provocou, em grande parte, a perda da pureza helênica. Não é menos verdade, porém, que com essa expansão a cultura grega se enriqueceu em muitos aspectos. Algumas cidades chegaram a superar Atenas como centro de atração de artistas e sábios. Entre elas podemos citar Alexandria, no Egito; Pérgamo, na Ásia Menor e Antioquia, na Síria.

No período helenístico a antiga Paidéia torna-se enciclopédia, ou seja, educação geral que consiste numa ampla gama de conhecimentos exigidos para a formação do homem culto. Cada vez mais aumentam os estudos teóricos, restringindo o tempo para o exercício físico. As questões metafísicas são substituídas pelos temas éticos.
Ao lado do ensino elementar orientado pelo gramático, nota-se o desenvolvimento do nível secundário, sendo ainda ampliada à função de retor, ou mestre de retórica, tão defendida por Isócratres no período anterior.

As principais correntes filosóficas desse período são: o estoicismo e o epicurismo.


- O estoicismo é uma doutrina essencialmente moral, mas contem também algumas doutrinas importantes sobre o conhecimento humano e estrutura do cosmo. Para essa doutrina ao buscar a felicidade o homem deve fugir do prazer, que em última análise apenas proporciona sofrimento e dor. O exercício da virtude consiste na auto-suficiência, alcançada ao se afastar dos bens materiais e dominar as paixões que trazem intranqüilidade à alma.

- No epicurismo o ideal do sábio é alcançar a ataraxia, ou seja, buscava, sobretudo encontrar o sossego necessário para uma vida feliz e aprazível, na qual os temores perante o destino, os deuses ou a morte estavam definitivamente eliminados. O homem deve evitar tudo que se opõem à felicidade e aproximar-se de tudo proporciona satisfação material e espiritual, dentre as quais distingue especialmente a amizade. Atender as verdadeiras necessidades do homem significa buscar o prazer duradouro, sereno e espiritual.

BIBLIOGRAFIA

- ARANHA,Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. São Paulo: Moderna, 2002.


- PILETTI, Nelson. História da Educação no Brasil. São Paulo: Ática, 1997.


- MONTEIRO, A. Reis. História da Educação: do antigo "direito de educação" ao novo "direito à educação". São Paulo: Cortez, 2006.


- ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 2000.

3 comentários:

Meire Lessa disse...

Ajuda galera tenho que fazer um trabalho e apresentarsobre essa materia mas ñ acho nem um livro.

Meire Lessa disse...

Essa professora e mto exigente colabora ai.

Meire Lessa disse...

Ajuda galera tenho que fazer um trabalho e apresentarsobre essa materia mas ñ acho nem um livro.